Campanha Salarial Unificada é lançada durante live. Pauta com reivindicações será entregue ao governo na próxima quarta-feira

17.Agosto.2021

Live com duração de aproximadamente uma hora lançou, na segunda-feira (16), a Campanha Salarial Unificada dos servidores do estado representados pelo Sindicaixa e pelo Sindsepe-RS. A atividade contou com a presença do economista e supervisor do DIEESE-RS, Ricardo Franzoi.

A live foi aberta informando que em menos de três anos, os servidores do Rio Grande do Sul perderam direitos fundamentais, com muitos sobrevivendo com vencimentos inferiores ao salário mínimo. Paralelo a isso, o governo Leite segue beneficiando empresários com isenções fiscais bilionárias.

A campanha tem como mote o arrocho salarial, parte de uma política escolhida pelo governo Leite para aumentar as receitas do estado. Foi assim no período de Sartori e está sendo agora no atual governo.

Foi lembrado na abertura do encontro que o Sindicaixa e o Sindsepe-RS foram dois dos quatro sindicatos que ousaram entrar em greve contra o pacote da morte, no final de 2019 e começo de 2020.

A pauta de reivindicações aprovada em assembleia geral unificada, realizada no dia 12 deste mês, será apresentada ao governo no início da tarde da próxima quarta-feira (18). Neste dia será realizado um ato público na praça da Matriz, tradicional espaço de manifestações dos servidores.

“Estaremos mais uma vez na praça para cobrar nossos direitos e defender os serviços públicos. É muito importante que as duas categorias se façam presentes na atividade. Como segurança, todos os protocolos contra a Covid-19 serão garantidos”, declarou o presidente do Sindicaixa Érico Corrêa.

A presidente do Sindsepe-RS, Diva da Costa, ressaltou a importância das categorias se engajarem na campanha salarial, reproduzindo em suas redes sociais e grupos de whatsapp as peças que serão desenvolvidas ao longo da campanha.

Falando de economia, Franzoi mostrou gráficos que explicam em detalhes a situação econômica do estado e dos servidores. Em 2014 foi o último ano que foi concedido algum reajuste salarial. Desde então, a inflação corroeu a metade dos vencimentos do funcionalismo, sendo os mais prejudicados aqueles com salários menores.

Gráfico exibido por Franzoi mostra o percentual de variação nos preços de produtos e serviços prestados à população. O botijão de gás de cozinha (13kg), entre 2014 2 2021, subiu 99,3%; o litro da gasolina, 96,3%; a tarifa de ônibus (Porto Alegre), 54,2%; e a cesta básica, 85,9%.

O economista destacou a reforma da previdência como elemento importante na defasagem salarial, sobretudo dos aposentados e pensionistas. As reformas implementadas pelos governos federal e estadual aumentaram as alíquotas de contribuição e começaram a taxar aposentados e pensionistas, que passaram a perder o equivalente a um salário por ano.

O aumento das receitas do estado se deu muito por causa da reforma da previdência, da mudança no plano de carreira do magistério e na reforma do estatuto dos servidores. Franzoi chama à atenção para dois pontos que ainda serão discutidos: a reforma tributária e a PEC do Teto.

Para o economista, o Rio Grande do Sul concede aos empresários o dobro de renúncia fiscal em comparação com São Paulo. Outra crítica é quanto à política de juros praticada pelo Copom. “Subir a taxa de juros não vai adiantar em nada, pois seguiremos pressionados pela inflação”, argumentou.

Nesta quarta-feira (18), os servidores estarão na Praça da Matriz, em Porto Alegre. Uma vigília está marcada para as 13h, quando representantes do Sindicaixa e do Sindsepe-RS irão entregar a pauta de reivindicações da Campanha Salarial Unificada ao governo.

Em seguida, às 15h, acontece um ato público para protestar contra o arrocho salarial e denunciar as políticas privatistas e injustas do governo Leite. O dia termina com uma manifestação, às 18h, na esquina democrática, contra a reforma administrativa.

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