Caminhada na zona Leste de Porto Alegre marca o 16º dia da greve dos servidores públicos

11.Dezembro.2019

O 16º dia da Greve dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul foi ocupado por um ato público com concentração nos Hospitais Psiquiátrico São Pedro e Sanatório Partenon, seguido de uma passeata pelas avenidas Bento Gonçalves e Ipiranga, no bairro Partenon, em Porto Alegre. O trajeto contemplou alguns dos principais pontos de referência em saúde do estado: Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) e Escola de Saúde Pública (ESP-RS).

Segundo estimativa do Comando de Greve, mais de 200 servidores participaram da atividade e afirmaram categoricamente que as manifestações não irão cessar enquanto o governador Eduardo Leite (PSDB) não retirar o ‘pacote da morte’ que tramita com regime de urgência na Assembleia Legislativa.

Durante a passeata, Rogério Viana, vice-presidente do Sindsepe/RS, reafirmou a importância da unidade das categorias na luta e citou a saúde como exemplo desta união. “Hoje nós mostramos que estamos mobilizados e que não vamos retroceder nem sequer um passo. Estamos aqui para desmentir essa história de que apenas 10% dos servidores da saúde haviam aderido à greve. É só olhar para o lado para perceber que a nossa adesão é muito maior, é de 60%. Quem mente sabe que mente!”, afirmou.

Elpidio Borba, diretor de assuntos funcionais do Sintergs, comentou sobre a relevância da marcha e do seu contato direto com a sociedade gaúcha. “O importante é que a gente saiu para rua e a população que circulou durante todo o trajeto foi unânime em nos apoiar, isso é algo que nos faz sentir a firmeza do movimento”. Elpidio ainda afirmou que o denominado ‘pacote da morte’ continuará enfrentando toda a resistência do movimento sindical enquanto não sair de tramitação no parlamento.

Na avenida Ipiranga, os servidores decidiram parar em frente ao Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) para denunciar no carro de som o fato de que assédio moral contra o trabalhador grevista é ilegal e imoral. O mesmo aconteceu junto à Escola de Saúde Pública (ESP-RS).

Miguel Chagas, secretário-geral do Sindicaixa, destacou a importância da categoria da saúde. “É essa categoria que promove o serviço gratuito para a comunidade, é ela que atende o povo da periferia, até mesmo aquele que tem dinheiro, não exclui ninguém. Então, nós estamos mostrando ao governador que tanto o serviço público quanto os servidores são essenciais para o estado do Rio Grande do Sul”, declarou, afirmando ainda que “esse pacote fez com que os sindicatos se unissem para enfrentá-lo".

Claudia Pereira, terapeuta ocupacional do Sanatório Partenon há 20 anos, salientou a importância da marcha para a conjuntura da greve. “A importância é, sobretudo, devido à representatividade dos serviços de saúde que nós prestamos. A maioria dos atendimentos que são referências em saúde mental, tuberculose, HIV/AIDS e sífilis são realizados aqui na Zona Leste de Porto Alegre”. Para a terapeuta, tudo o que ele [governador] está fazendo vai atingir não só a vida dos servidores, mas também os serviços prestados.

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