Assembleia unificada reúne multidão na praça da Matriz contra o pacote da morte

10.Dezembro.2019

Uma multidão ocupou na manhã desta terça-feira (10) a praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre, durante assembleia geral unificada dos servidores e educadores em greve. A paralisação dos educadores, que atinge mais de 80% da categoria, vai completar um mês, enquanto a greve dos servidores entrou na terceira semana. Os dois movimentos continuam fortes, apesar da pressão do governo.

Os organizadores calcularam que mais de 20 mil pessoas estavam na assembleia, ocorrida sob uma temperatura alta e sol forte. Centenas de ônibus de várias cidades do interior, algumas a mais de 600 quilômetros de distância de Porto Alegre, engrossaram a atividade, que foi seguida de um ato e caminhada até a secretaria da Fazenda.

A greve reivindica a retirada do pacote de reforma administrativa da Assembleia Legislativa, que tramita em regime de urgência, e a regularização do pagamento dos salários, que vêm sendo pagos em atraso e parcelados há 48 meses. Também pede reposição salarial para o conjunto de servidores, sem reajuste há cinco anos.

Devido ao regime de urgência, a votação na Assembleia deve ocorrer já na semana que vem – se o pacote não for retirado. “Estamos assistindo a umas das greves mais valorosas da nossa história, sem possibilidade nenhuma de recuo. Se o governador acha que vamos recuar pela ameaça do corte de ponto de um salário que sequer é pago, saiba ele que está acendendo um barril de pólvora”, disse o diretor de Política Salarial do Sintergs, Antônio Augusto Rosa Medeiros.

Os dados das entidades representativas dos grevistas não deixam dúvida de que o movimento continua forte. Cerca de 90% dos técnicos agrícolas do Estado estão em greve, assim como a totalidade das coordenadorias de saúde e técnicos de secretarias como Planejamento, Obras, Cultura e Turismo.

“Categorias que historicamente nunca fizeram greve estão aderindo. Até no Planejamento, nas barbas da secretária Leany [Lemos, secretária do Planejamento], que é a mãe desse pacote, os servidores estão parados. A nossa unidade vai garantir a derrubada desse pacote”, afirmou Diva Costa, presidente do Sindsepe-RS.

O presidente do Sindicaixa, Erico Correa, conclamou os grevistas a manterem a mobilização. “Na semana que vem esta praça vai se transformar no quartel general dos servidores e educadores porque vai ter guerra contra esse pacote”, discursou.

O principal alvo da manifestação foi o governador Eduardo Leite. Chamado de “mentiroso” e “caloteiro”, o governador cumpriu agenda em Brasília e não viu o ato. “Estamos diante desse mar de gente graças à incompetência deste governo, que mentiu descaradamente durante a campanha sobre a situação dos serviços públicos no Estado. Ele não passa de um menino mimado que se esconde atrás da saia da mãe quando a coisa aperta”, discursou a presidente do CPERS, Helenir Schürer.

O pacote, entre outras aberrações, taxa os salários mais baixos de aposentados com desconto de alíquota previdenciária, retira a possibilidade de incorporação de vantagens de carreira nas aposentadorias e mexe nos planos de carreira.

O ato também teve uma performance artística, que representou os danos do pacote na sociedade gaúcha e nas famílias dos servidores, e uma caminhada. Durante o trajeto, a multidão cantou palavras de ordem contra o governador, classificando-o como “caloteiro” e “ordinário”.

Na secretaria da Fazenda, os manifestantes foram recebidos por um forte aparato de segurança que envolveu soldados do batalhão de choque com armas e bombas de efeito moral. Os acessos ao prédio foram bloqueados. A manifestação terminou por volta do meio-dia.

Nesta quarta-feira (11) os servidores em greve farão um ato em frente ao Lacen (Laboratório Central do Estado), na avenida Ipiranga. Antes do ato, duas caminhadas sairão do Hospital Psiquiátrico São Pedro e do Sanatório Partenon em direção ao Lacen, a partir das 8h30, para marcar mais um dia de greve.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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