PALESTRA MOSTRA ELOS ENTRE AS POLÍTICAS DE GOVERNO E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

31.Agosto.2017

O corte de investimentos, o câmbio inadequado e a política macroeconômica repressiva são eixos que impedem o crescimento da economia do país, mas que são deliberadamente pensados pelo governo federal para possibilitarem as medidas que o mercado deseja, ou seja, as reformas e as privatizações. Esse foi o centro da palestra da professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Gentil, na fria noite da quarta-feira, 30, no auditório do Sindisprev-RS. Organizado pelo Fórum em Defesa da Previdência, o evento reuniu cerca de uma centena de pessoas. Segundo Denise, ao paralisar investimentos o Estado restringe a atuação das empresas, aumentando a taxa de desemprego, e o câmbio inadequado dificulta a competição com produtos importados. Por sua vez, a política macroeconômica adotada pelo governo inibe a geração de empregos e a arrecadação da previdência. A professora ainda destacou a recessão vivida pelos brasileiros, que enfrentam uma taxa de desemprego na casa de 13,3% (3,8 milhões de desempregados), com uma queda no rendimento médio de 3% e 4% na massa salarial. Mas a economia recessiva é intencional, com vistas à redução de direitos dos trabalhadores e a entrega de patrimônio aos empresários. “A taxa de crescimento de gastos com a previdência, em 2015, foi zero. Você está numa economia em recessão, com taxa de desemprego alta, por que a idade mínima para aposentadoria será elevada? Quem ganha com isso? Os bancos, com a venda de planos privados”, sintetiza Denise. Denise ainda bateu na política de desonerações, o que eleva o lucro das empresas. Desonerações que, segundo a professora, não exigem contrapartidas. O total gasto com essa brutal renúncia fiscal é superior à soma dos investimentos em educação, saúde, assistência social e ciência e tecnologia.
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